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O Rio que pensa, dança e fala: Zuenir Ventura, sobre o Back2Black Festival

02/09/2009

coluna originalmente publicada no jornal O Globo, 02/09/2009

É daqueles eventos que, quando a gente assiste em Nova York ou Paris, lamenta: “Por que não se faz isso no Rio?” Quando se faz, valem todos os louvores. A fórmula é simples e criativa. Pega-se uma gare de trem desativada e transforma-se num museu, como foi feito com o majestoso Musée d’Orsay, que reúne talvez a melhor coleção de impressionistas do mundo. Ou então como se acaba de fazer, mais modestamente, com a velha estação da Leopoldina, transformada por três dias pelo Back2Black numa pequena África. Quem não viu não sabe o que perdeu.

O espaço, por si só, já era um espetáculo. Um vagão forrado de panos com motivos africanos serviu, por exemplo, de livraria. As antigas plataformas de embarque viraram pistas de dança e terraços com mesinhas de bar. Sucatas de máquinas de trem foram recriadas como esculturas, graças a um jogo mágico de luzes coloridas. Enfim, com recursos cenográficos como estes, além de fotos, mapas, textos distribuídos pelo espaço, Bia Lessa — e quem mais poderia ser? — fez da estação da Leopoldina uma instalação capaz de acolher a proposta “Somos todos Africanos. Somos todos humanos. Back to Black”.

Isso quanto ao décor, pois em matéria de conteúdo não sei se alguma vez se juntou aqui um elenco tão expressivo de nomes da música, da dança, da literatura, do pensamento do Brasil e de várias partes do mundo — África do Sul, Angola, Senegal, Zâmbia, Cuba, EUA, Benin, Cabo Verde — para cantar o continente africano e debater suas questões.

Estive no encerramento, junto com uma multidão, para assistir ao show “Celebração do samba”, conduzido por Mart’nalia e apresentando nomes como Luiz Melodia, Margareth Menezes, Dona Ivone Lara, além da beninense Angelique Kidjo, a cabo-verdiana Mayra Andrade e a cubana Omara Portuondo. Por dois momentos, já teria valido a pena a ida à Leopoldina: ver Dona Ivone cantando “Sonho meu” e Omara entoando “Guantanamera”. A esperança é que haja mais Back2Black e que se volte a ter a Leopoldina como espaço para outros eventos.

Começa hoje o Back2Black Festival!

28/08/2009

ensaioHoje à noite Gilberto Gil, Marisa Monte e Youssou N’Dour sobem ao palco para abrir o Back2Black Festival. Os músicos se reuniram na tarde desta quinta-feira para ensaiar e passar os últimos detalhes do show As Vozes da África e do Brasil, que acontece às 22h, logo em seguida à conferência Construindo Utopias (que reunirá Bob Geldof, Breyten Breytenbach e José Eduardo Agualusa).

O repertório foi guardado em segredo, mas a equipe do Back2Black pode conferir de perto a super interpretação da música Blowin’ in the wind, de Bob Dylan, numa versão inédita feita exclusivamente para o encontro.

Do outro lado da cidade, a produção do festival corria, em pleno ensaio geral, para transformar a Estação Leopoldina na mega instalação “Somos todos africanos. Somos todos humanos. Back to black”, da diretora Bia Lessa, que vai abordar fatos e histórias do continente africano e suas influências no mundo usando recursos multimídia e outras surpresas. Sem sombra de dúvida, vocês vão ficar de queixo caído! Nós ficamos.

Veja a galeria de fotos do ensaio geral e dos preparativos do Back2Black Festival.