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O futuro da África

30/08/2009

conf30“O problema da África não é apenas político. O mundo não vê o continente como um participante na economia global. Até isso acontecer, não vamos progredir muito”. Essa foi algumas das constatações apontadas pela economista Dambisa Moyo durante a conferência A África na Construção do Mundo. O Futuro., no último dia do Back2Black Festival.

Mediado pelo historiador Alberto da Costa e Silva, o debate acalorado pôs em cheque a ajuda humanitária ao continente África por parte de outros países, e se ela é realmente efetiva para mudar a realidade social. Para Gilberto Gil, essa ajuda vem travestida de outros interesses:

“Os recursos que, a principio, deveriam ser encaminhados para países africanos servem para pagar a própria estrutura dessas agência humanitárias. A ajuda humanitária vindo de países desenvolvidos são uma forma implantar seus interesses econômicos, pois não existe uma troca de tecnologia.”

Segundo Dambisa Moyo, ninguém pergunta aos africanos sobre o que precisa mudar no continente. Moyo também criticou o fato de celebridades serem mais ouvidas sobre temas relativos à África do que os líderes africanos e fez uma provocação:

“Vocês perguntariam a uma celebridade como fazer para controlar a inflação ou direcionariam essa pergunta para o Presidente Lula? É isso que acontece atualmente quando falamos no continente africano. O mundo dá mais atenção às celebridades do que aos líderes locais”. Moyo foi aplaudida de pé.

Para Gil, a colonização foi mais perversa na África do que em outros lugares e o continente vive atualmente um dilema: “A institucionalização nos países africanos foi feita pela metade e hoje o continente vive um dilema: tentar ser mais um igual a tantos modelos que existem, ou buscar algo novo? Essa pergunta tem que ser respondida pelos africanos e também pelo mundo”.


Gilberto Gil e Dambisa Moyo: “A África na construção do mundo. O Futuro.”

26/08/2009
Dambisa moyo

Dambisa Moyo

No domingo, dia 30, às 17h, o tema da palestra do Back2Black Festival será o futuro. Para discutir a importância da África nesse processo de construção, Graça Machel, (ex-ministra da Educação e Cultura de Moçambique e esposa de Nelson Mandela), Gilberto Gil e a economista zambiana Dambisa Moyo (apontada pela revista Time como uma das 100 personalidades mais influentes do mundo) contarão com a mediação do africanista Alberto da Costa e Silva.

O escritor angolano José Eduardo Agualusa, curador das conferências do Back2Black Festival, aponta a linha de condução da mesa A África na construção do mundo. O Futuro:

O Brasil é, em larga medida, uma criação de África. O mesmo se pode dizer dos Estados Unidos, de Cuba, e de muitos outros países americanos. A cultura africana, da música às artes plásticas, vem influenciando a cultura contemporânea de uma boa parte dos países europeus. Contudo o continente continua a ser visto como um lugar sem esperança. Nesta mesa vai procurar discutir-se o futuro de África e a sua relação com o mundo. Deve África contar com as suas próprias forças para se desenvolver – ou deve esperar pela ajuda dos países mais ricos?

Após o seminário, às 19h, haverá o show inédito Celebração do Samba, também na Estação Leopoldina:

19h – Show: Celebração do Samba – Conduzido por Mart’nália
Participação: Brasil – Dona Ivone Lara, Marina Lima, Luiz Melodia, Maria Gadú, Rodrigo Maranhão e Margareth Menezes; África – Angélique Kidjo, Paulo Flores e Mayra Andrade; Cuba – Omara Portuondo

Visite o site do Back2Black Festival e acompanhe as novidades também no Twitter.

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Dambisa Moyo: “África não precisa de ajuda, mas de investimento”

21/08/2009
Dambisa moyo

Dambisa Moyo

Nos últimos 50 anos, foram enviados ao continente africano aproximadamente US$ 1 trilhão através da ajuda de países ricos que, segundo a economista zambiana Dambisa Moyo, só agravaram os problemas de corrupção e pobreza.

Dambisa é autora do recente livro Dead Aid (“Ajuda Morta”), que condena as doações feitas por esses países como forma eficaz de desenvolvimento econômico para o continente. Segundo ela, desenvolver o comércio na região é o caminho para uma real mudança socioeconômica no continente.

A economista estará presente na conferência A África na construção do mundo. O Futuro, no domingo 30, junto à ativista Graça Machel (esposa de Nelson Mandela) e Gilberto Gil. A mediação será feita pelo africanista membro da Academia Brasileira de Letras Alberto da Costa e Silva.

Nessa mesa serão discutidos rumos para o continente e qual a relação com o resto do mundo.  Deve a África contar com as suas próprias forças para se desenvolver ou esperar pela ajuda dos países mais ricos?

Venha e participe desse debate, que será seguido pelo grande e inédito show Celebração do Samba.

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Programação Oficial

08/08/2009

28, 29 e 30 de agosto
Estação da Leopoldina
Rio de Janeiro/RJ

Back2Black Festival é um evento de proporções internacionais com o objetivo de relembrar a África como berço da civilização e celebrar o continente como pólo de discussão política e difusor de cultura.

# 28/agosto

Conferência:
Construindo utopias

Bob Geldof e Breyten Breytenbach
mediador José Eduardo Agualusa

Shows:
As Vozes da África e do Brasil
Gilberto Gil (show acústico)
Youssou N’Dour (participação: Marisa Monte)

# 29/agosto

Conferência:
Cultura e desenvolvimento

Gavin Hood, Youssou N’Dour e MV Bill
mediadora: Kátia Lund

Shows:
MV Bill
Banda Black Rio (convidados especiais: Ed Motta, Mano Brown e MC Ice Blue (Racionais MCs))
Encontro das Periferias
Funk Carioca (DJ Sany Pitbull e dançarinos)
Kuduro de Angola (DJ Znobia e dançarinos)
Krumping de Los Angeles (DJ Goofy, Miss Prissy, Deuce, Bad Newz e “O”utlaw)

# 30/agosto

Conferência:
A África na Construção do Mundo. O Futuro.

Graça Machel, Gilberto Gil e Dambisa Moyo
mediador: Alberto da Costa e Silva

Shows:
Celebração do Samba – Conduzido por Mart’nália
Brasil: Dona Ivone Lara, Marina Lima, Luiz Melodia, Maria Gadú, Rodrigo Maranhão e Margareth Menezes
África: Angélique Kidjo, Paulo Flores e Mayra Andrade
Cuba: Omara Portuondo

Nos três dias do Back2Black Festival, a diretora Bia Lessa (responsável pela cenografia do evento, apresentará sua instalação inédita “Somos todos africanos. Somos todos humanos. Back to black.”