Archive for the ‘Black Soul Train’ Category

“Expresso África”: o B2B por Michel Fernandes, o Don, correspondente do Viva Favela na Cidade de Deus

03/09/2009

DonSai de casa na Cidade de Deus às 18 horas e parti para a Leopoldina. Ao chegar no hall da portaria me deparei com vários painéis enormes mostrando vários dados geográficos e culturais do continente africano, como idiomas falados em cada país, quantidade de mortos em cada conflito, mapa dos países africanos e o nome dos seus colonizadores europeus.

Fiquei honrado por ser de uma comunidade carente (em todos os sentidos) e poder obter aquelas informações que desconhecia e que de fato são bem preciosas no que diz respeito à minha descendência e origem do meu povo. Sinceramente sentia felicidade e tristeza. Felicidade por saber o quanto que meu continente de origem é rico culturalmente e triste com os dados de mortos em conflitos étnicos, não me lembro exatamente essas informações, mas elas me surpreenderam demais.

Mais adiante entramos no saguão principal onde havia uma exposição de fotos e televisões que exibiam documentários com vários assuntos relacionados ao continente africano. Eu amo fotografia e fui ver os painéis, de aproximadamente 2 metros, alinhados e pendurados por cabos de aço formando corredores. Nessas fotografias me deparei com situações de cotidiano e cultura daquele continente. Encontrei fotos de crianças e idosos, homens e mulheres, ricos e pobres, príncipes e plebeus, as crenças e religiões; um vasto acervo  que me fez perceber o quanto África influenciou o mundo culturalmente.

Dentro de cada fotografia, crescia uma vontade de explorar e conhecer as minhas origens. Após ver os painéis observei que no teto do espaço estavam vários painéis com informações sobre a economia e geografia do continente. Uma informação chamou minha atenção, pois falava da quantidade de riquezas minerais produzidas em solo africano. Descobri que 40% do ouro produzido no mundo vem de terras africanas. A pergunta que ficou na minha cabeça era: como é possível tanta riqueza gerar a pobreza que vemos no continente?

Também vi que grande parte da transação comercial no continente é feita via África do Sul. Imagine o potencial econômico que existe lá por lá? Dá para fazer uma comparação com a situação de comunidades carentes, como a minha, que estão atrasadas em relação a outras regiões da cidade, tanto na economia, educação e cultura devido à questão da violência, falta de oportunidades e descaso do governo.

A conferência começou com Angelique Kidjo, que ressaltou o trabalho que desenvolve dando bolsas de estudos para as meninas africanas e acrescentou também que o ser humano precisa parar de individualizar e trabalhar junto, independente da cor, crença e cultura.

Youssou N’Dour lembrou, na sequência, que a música pode ser considerada mais um idioma e que a mesma pode ajudar a desenvolver novas idéias. O cineasta Gavin Hood ressaltou a importância da educação para gerar desenvolvimento social no continente africano.

MV Bill, o mais aplaudido da noite, e morador da minha comunidade, honrou muito bem a oportunidade que teve para falar sobre a cultura e o desenvolvimento. Começou falando da sua contribuição na área social, através dos seus projetos de livros e documentário. Bill também abordou a falta de afrodescendentes na TV brasileira e frisou que a educação no país é um artigo de luxo e que as pessoas precisam aprender a ser protagonistas da sua própria história.

Após a conferência fui para uma área na plataforma de embarque, que virou uma pista de dança, com dois ambientes: um lounge e black music (anos 60 e 70), quando encontrei um amigo da minha comunidade, o João, integrante de uma companhia de teatro, a Bem Brasil.

Na volta pra casa, senti alegria por ter participado desse evento e, dentro do ônibus, vendo as ruas escuras, silenciosas e vazias da Cidade de Deus, a  tristeza veio à tona pelo fato de muitos estarem dormindo e inconscientes das nossas origens, da nossa cultura e de tantas coisas que possam contribuir para uma mudança social da minha comunidade. “Um povo sem conhecimento do seu passado, origem e cultura é como uma árvore sem raízes”, diria  Bob Marley.

** Michel Fernandes (Don) é morador da Cidade de Deus, MC e participa da oficina de correspondentes multimídia oferecida pelo Viva Favela.

Black Soul Train: pra dançar como dança o black

28/08/2009
Black Soul Train

Black Soul Train

Além de assistir aos shows e palestras do Back2Black, quem estiver no festival também vai poder circular no vagão Black Soul Train, um lounge em plena Estação Leopoldina.

Nesta sexta-feira, 28, ocupam o vagão o Rádio África, o Comfusões Sound System, MC Jovem Cerebral e convidados. Os dois combos que concentram musica africana apresentam o afro hip-hop, o afrobeat e os afrogrooves de todos os tempos e gerações.

A Rádio África vem diretamente de Salvador e é especializada em música africana de todas as épocas e países, apresentando boa música de pista africana para encher os nossos ouvidos. Comfusões Sound System é um projeto do produtor musical Maurício Pacheco (fundador do grupo Stereo Maracanã), feito ao longo de anos de pesquisa e viagens à Africa. Maurício lançou esse ano na Europa o CD Comfusões vol. I, remixando clássicos da música de Angola, que recebeu excelentes críticas e chegou ao TOP 20 de World Music europeu. Maurício convida MCs do hip hop carioca, como o MC Jovem Cerebral, fazendo um set que mistura a música africana com hip hop e funk.

BLAX

BLAX

No sábado, 29, o lounge Black Soul Train recebe a festa BLAX. Os DJs Zé Octavio, Preto Serra e Paulo Futura prestam homenagem ao movimento black rio com o máximo da soul music nos moldes dos primeiros bailes cariocas dos anos 70.

A festa BLAX, referência da nova geração do black soul carioca, aporta na Estação Leopoldina e aproveita a ocasião para trazer de volta a atmosfera dos primeiros bailes de funky-soul dos anos 70, época do movimento black rio. Na mesma noite em que o festival conta com o show da Banda Black Rio e convidados, a festa BLAX vai criar o complemento ideal com o melhor da black music de todos os tempos. Além do maximum em funk, soul e rhythm n’ blues, a BLAX apresenta as imagens que rolam nos telões da festa que acontece há mais de três anos na casa Cinemathèque (onde a festa é residente), uma miscelânea de trechos de filmes da era blaxploitation, apresentações de ícones da soul music, matérias de revistas e jornais, fotos e videos raros da época do movimento black rio.

Digital Dubs

Digital Dubs

No domingo, 30, quem conduz o Black Soul Train são o Rádio Africa e o Digital Dubs Soundsystem. O combo Rádio Africa dessa vez divide o lounge com o primeiro soundsystem carioca, o grande Digital Dubs. African dancehall com pérolas do reggae, dub e rocksteady. O Digital Dubs, já velho conhecido dos amantes reggae, dub e dancehall, chega disparando os mais poderosos dubs e riddims do planeta.

Confira a programação completa do Back2Black Festival e garanta seu ingresso!