O segundo dia do festival começou com a conferência Cultura e Desenvolvimento, que apontou os principais desafios para um maior intercâmbio entre o continente africano e o Brasil. A cineasta Kátia Lund, mediadora da palestra, citou, como exemplo, a dificuldade de exibição de filmes produzidos na África no nosso país. “Só para vocês terem uma ideia, um filme de baixo orçamento paga a mesma taxa de uma mega produção. Precisamos repensar isso. Eventos como o Back2Black servem de oportunidade para pensar a construção de uma ponte cultural”, diz.
MV Bill falou da sua trajetória e da importância dos movimentos sociais para o desenvolvimento de um povo. Durante o debate, o rapper levantou a questão do racismo velado que persiste na sociedade e fez uma comparação com as telenovelas: “É muito raro um casal de protagonista negro dentro de uma novela”.
A questão do racismo também foi levantada pelo cineasta Gavin Hood, a partir da pergunta formulada por MV Bill sobre o poder de transformação social que a cultura pode propiciar: “Eu lembro que foi através do cinema me que dei conta do racismo que existia na África do Sul”, afirmou Hood.
Angelique Kidjo e Youssou N’Dour falaram do poder da educação e das novas tecnologias como forma de integrar o continente com o mundo: “A internet está em todo lugar, inclusive na África. As pessoas estão interligadas e essa rede funciona para expandir os horizonte culturais”, pontuou Angelique.
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